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REFORMA POLÍTICA II

Ponta Grossa, 25/04/2007.

A tão discutida, comentada e necessária Reforma Política parece que agora está ganhando terreno entre os governistas e oposicionistas. O presidente do PSDB, senador Tasso Jerreissati (CE), procurou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana próxima passada para conversar sobre o assunto e dizer que seu partido está disposto a sentar-se à mesa para discutir tal reforma.

A nosso ver, alguns dos pontos cruciais da reforma política já foram determinados e aceitos pelo PSDB: a fidelidade partidária e o voto distrital. Outros pontos também são muitos importantes, mas, com relação a eles, certamente, encontrarão maiores dificuldades para chegarem a um consenso. Esses pontos controversos são:

Financiamento Público – consideramos que seria de grande importância para os interesses da maioria da população, pois o poder econômico não teria tanta influência como tem hoje nas eleições e, conseqüentemente, no meio político. Praticamente todos os políticos eleitos têm compromissos com os mesmos, pois os recursos de financiamentos de suas campanhas vieram dessa classe. Nenhum político se elege sem uma grande soma de recursos e, para consegui-los, acabam se comprometendo. Como conseqüência, na hora de legislar e administrar, tem que pagar com favores políticos àqueles que lhes financiou.

Listas Partidárias (ou Fechadas) – a população brasileira está acostumada a votar na pessoa, no homem, ou seja, no político em si. Uma mudança dessa natureza traria um descontentamento e uma desconfiança, pois o voto seria nas legendas, nos partidos, e não no político. A adoção dessa forma seria uma lástima, pois hoje o político, apesar de depender diretamente de si para conseguir os votos, já não tem nenhum compromisso com seus eleitores. Sem uma vinculação à sua pessoa, o descaso do político para com seus eleitores será ainda maior.

Fim da Reeleição – temos que analisar com muito carinho o fim dessa modalidade que está em vigor hoje no Brasil. Quando se trata de um mandato, onde se tem que implementar projetos de grande monta, somente quatro anos seria um tempo muito. Nesse caso, o governante necessita sim de um tempo maior para a sua gestão. É claro que, para isso, teríamos que ter uma população com cultura e massa crítica para saber decidir na hora do voto, se o Executivo em questão tem condições de ter mais um mandato, pois tem que continuar os projetos iniciados, ou, simplesmente, continuar com demagogia e ganhar a eleição com o auxílio da máquina pública.

Fidelidade Partidária – é preciso fazer com que a fidelidade partidária seja uma condição: o mandato é do partido e não do deputado. O candidato que se elege com a ajuda da legenda não pode considerar que o mandato seja dele, que possa trocá-lo quando bem lhe convier. Somente assim pode acontecer o apoio para que os projetos sejam aprovados sem delonga e as coisas comecem a fluir nesse País.

Voto distrital – que cada candidato tenha que prestar conta à sua região: visitar, ouvir, interagir, se integrar com a comunidade, e não somente através de programas de rádio, como acontece hoje em Ponta Grossa. O Deputado Federal, que levou quase 40% dos votos de nossa cidade, não aparece aqui para discutir as grandes causas nacionais. Nem no período dos grandes escândalos esteve aqui para esclarecer a população, informar o que realmente estava acontecendo. A única coisa que fez foi colocar em um outdoor, aqui em nossa cidade, que teria dito em um discurso no congresso que “O dinheiro público era sagrado”. Porém, nada fez para punir os responsáveis.

Sabemos das dificuldades para se chegar a um denominador comum e fazer as mudanças que tanto se almejam. Sabemos, também, que tal reforma é urgente e necessária a todos os brasileiros. Porém, infelizmente, o nosso Congresso não é uma casa de pessoas de bem. Elas não cumprem o papel para qual foram eleitas, ou seja, de legislarem pensando no bem-estar da população, dos seus compatriotas, aquelas pessoas que os elegeram e que realmente precisam que as leis sejam para o bem comum, a fim de transformarem o Brasil em um País bom para todos.

• Luiz Paulo Rover é empresário.

• E-mail: lprover@brturbo.com.br


 

 

 
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